Drs. Daniel Sigulem e Nestor Schor


Envelhecimento cognitivo: progressos na compreensão e oportunidades para a ação

19/04/2015 10:47
Neste artigo, tentamos resumir um extenso estudo publicado pelo Instituto de Medicina americano (IOM) sobre as alterações da cognição que surgem naturalmente com o envelhecimento.
 
O envelhecimento cognitivo não é uma doença como o Alzheimer, mas um processo natural e nem sempre ruim. A sabedoria pode realmente aumentar com a idade e o valor dos anos de experiência é inestimável. Assim, ficar cognitivamente ativo é uma das maiores preocupações dos idosos, e com razão, pois alterações sutis podem afetar a vida diária, tornando os idosos mais vulneráveis a fraudes financeiras, problemas de condução ou outras dificuldades para um mundo impulsionado pela tecnologia.
 
De fato, enquanto algumas pessoas não vão notar qualquer mudança cognitiva, outras vão passar a processar as informações de forma mais lenta e ter mais dificuldades em realizar multitarefas do que quando eram mais jovens.
 
O que é chamado de memória de trabalho - armazenamento de curto prazo do cérebro - geralmente diminui com a idade, mas normalmente a memória de longo prazo permanece intacta mesmo que demore mais tempo para lembrar o nome de alguém.
 
Então qual é a diferença entre o envelhecimento cognitivo normal e declínio cognitivo patológico? Na doença de Alzheimer, as células nervosas do cérebro morrem; no envelhecimento cognitivo normal, os neurônios não morrem - eles simplesmente não funcionam bem.
 
O IOM também recomenda:
 
- controlar a pressão alta, o diabetes e não fumar. Esses são os principais riscos para doenças do coração e, o que é ruim para o coração, é ruim para o cérebro;
- alguns medicamentos frequentemente utilizados por idosos incluindo ansiolíticos, drogas para dormir, anti-histamínicos, medicamentos para controle de esfíncter vesical, por exemplo, podem diminuir a atividade cognitiva;
- manter-se social e intelectualmente ativo;
- dormir o suficiente;
- ser cuidadoso com os produtos que pretendem melhorar o funcionamento cognitivo. Não há nenhuma evidência de que vitaminas e suplementos dietéticos como ginkgo biloba, por exemplo, possam ajudar, como não há provas claras do beneficio dos jogos de treinamento cerebral baseados em computador.
 
O IOM recomendou ainda que sejam feitas mais pesquisas sobre envelhecimento cognitivo normal, o que foi deixado um pouco para trás em relação aos estudos de doenças como Alzheimer. Recomendou também melhorar a formação dos médicos sobre os riscos de seus pacientes. Por exemplo, idosos hospitalizados tem risco aumentado para o delírio súbito, confusão e agitação, que podem resultar em um declínio cognitivo persistente quando o paciente volta para casa, mas há maneiras de evitá-lo.
 

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